“Não abandonaremos os habitantes de Gaza que estão em Rafah”, diz Unrwa – EERBONUS
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“Não abandonaremos os habitantes de Gaza que estão em Rafah”, diz Unrwa

Em meio a relatos de que 100 mil palestinos foram instruídos a deixar a cidade de Rafah antes de uma operação militar israelense, funcionários humanitários da ONU reforçaram nesta segunda-feira que não têm intenção de abandonar o local.

A Agência da ONU de Assistência aos Refugiados Palestinos, Unrwa, afirmou que “uma ofensiva israelense em Rafah significaria mais sofrimento e mortes de civis”, adicionando que as consequências seriam arrasadoras para 1,4 milhão de pessoas.

Corredores de evacuação minados

A agência declarou que não irá evacuar seu pessoal e “manterá a presença em Rafah o máximo de tempo possível”, para continuar a prestar serviços de salvamento e ajuda às pessoas.

O Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef, alertou que “um cerco militar e uma incursão terrestre em Rafah representaria riscos catastróficos para as 600 mil crianças” abrigadas na cidade mais ao sul de Gaza.

Muitas delas “estão altamente vulneráveis ​​e no limite da sobrevivência”, afirmou a agência da ONU em um comunicado, destacando o aumento da violência em Rafah e o fato de potenciais corredores de evacuação estarem “provavelmente minados ou repletos de explosivos não detonados”.

O Unicef adicionou que qualquer movimento militar em Rafah resultará em um número muito elevado de baixas civis e ao mesmo tempo destruirá “os poucos serviços básicos e infraestruturas restantes” de que as pessoas necessitam para sobreviver.

Mulheres idosas fogem de Khan Younis, depois que o exército israelense atacou a cidade

Intimidação e ameaças contra profissionais da ONU

A diretora executiva do Unicef, Catherine Russell, disse que muitas crianças foram “deslocadas diversas vezes e perderam casas, pais e entes queridos”. Ela afirmou que milhares de crianças estão “feridas, doentes, desnutridas, traumatizadas ou vivendo com deficiências”.

No domingo, a diretora executiva do Programa Mundial de Alimentos da ONU, Cindy McCain, ressaltou preocupações com restrições de ajuda e atrasos impostos por Israel. 

O comissário-geral da Unrwa, Philippe Lazzarini, disse que “as autoridades israelenses continuam negando acesso humanitário às Nações Unidas”.

Ele explicou que nas últimas duas semanas, foram registrados 10 incidentes envolvendo disparos contra comboios, detenções de funcionários da ONU, incluindo intimidação, despimento, ameaças com armas e longos atrasos nos postos de controle. Esses eventos forçaram os comboios de ajuda a realizar deslocamentos durante a noite ou a abortar missões.

O chefe da Unrwa também condenou os ataques com foguetes na passagem Kerem Shalom, que supostamente mataram três soldados israelenses, levando ao seu fechamento. A travessia é um importante ponto de entrada de ajuda humanitária.

“Al Mawasi não é seguro”

De acordo com relatos de agências de notícias, panfletos lançados pelos militares israelenses acima do leste de Rafah aconselhavam as comunidades a se mudarem para a chamada zona segura de Al Mawasi, a oeste de Rafah, junto ao Mar Mediterrâneo.

Os profissionais humanitários da ONU rejeitaram anteriormente iniciativas de evacuação semelhantes levadas a cabo pelos militares israelenses, alegando que representavam deslocamento forçado.   

A representante de comunicação da Unrwa em Gaza, Louise Wateridge, disse que “em “Al Mawasi, há uma grave falta de infraestruturas suficientes, incluindo água”.

Mais de 400 mil pessoas já estão abrigadas na região costeira, de acordo com a última avaliação da agência da ONU, que relatou um fluxo de pessoas deslocadas da cidade vizinha de Khan Younis. 

Para apoiar esta população, a Unrwa tem dois centros de saúde temporários em Al Mawasi, juntamente com outros pontos médicos recém-criados na área.

A porta-voz da Unrwa, Juliette Touma, disse que Al Mawasi “está longe de ser seguro, porque nenhum lugar é seguro em Gaza”.

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